terça-feira, 3 de julho de 2007

"Descer" demais: isso é o pecado

"Todos os seres são infelizes; mas quantos o sabem?"


Arthur Machen nasceu em 1863, na antiquíssima aldeia de Caerleon, cujo nome romano é Castra legionum, onde se guardam ainda lendas do rei Artur. Era filho único de um sacerdote galês. A sua infância foi solitária (tal como toda a sua vida) e foi marcada pela eternas ruínas romandas, as trevas célticas dos bosques e a caótica livraria do seu pai.
Aos dezasseis anos publicou o seu primeiro poema, sobre os mistérios de Elêusis. Desse poema juvenil não resta senão um exemplar que em nada revela o seu autor; mas o tema - a iniciação divina ou diabólia - está quase em todos os seus livros. Aos dezanove anos foi para Londres. No "opaco labirinto" dos subúrbios do noroeste dessa cidade descobriu as esplêndidas confissões de outro solitário, De Quincey, e laboriosamente escreveu o seu primeiro livro: Anatomia do tabaco. Em 1895 publicou o ciclo de relatos fantásticos Os três impostores. Os críticos queixaram-se da indefinição de certas histórias de Machen e difusidade dos seus demónios. Creio que é crítica é errada. Nos livros de Machen o conceito de pecado é fundamental.


Mas para ele o pecado é menos uma transgressão voluntária das leis divinas que um estado abominável da alma.


Por isso a solidão das suas personagens; por isso são assediadas pela pura tentação do Mal, embora não para cometer maldades concretas."

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Crítica da totalidade histórica-


Eu busco sistematizar meu nojo.
Tornar mais frio meu imenso desprezo pelo "último homem".

É uma crítica de toda a história humana.
De toda forma de poder como princípio de coesão social.
Uma crítica que denuncia o próprio âmago da história humana: a perda progressiva do sentido do sagrado.
A lógica aristotélica, o cristianismo platonizado, a escolástica, o iluminismo triunfante, a idéia obscena de progresso, o positivismo, o empirismo (esse autismo da razão), o liberalismo, a razão instrumental e por fim essa loucura incomensurável chamada capitalismo.
Essa ferida profunda no espírito humano.

Há algo que foi perdido, há muito, muito tempo atrás
Algo hoje apenas sussurrado
Ou pressentido
nas franjas da ausência

ora pro nobis

terça-feira, 12 de junho de 2007

Sua contrapartida é um horror


O vazio, o nada, o absurdo, a frustação do sentido
Detestável mundo novo...
=/
Uma sociedade que esconde o fedor de seu apodrecimento com o falso aroma de suas hipocrisias não dá conta de fazer com que a PERCEPÇÃO de seu discurso mentiroso não seja escorraçado da realidade pela contradição evidente de sua prática imunda.No reino da mentira generalizada e do pesadelo social causado pelo impasse calamitoso desse modo de vida dito "moderno" o discurso dominante é uma aborrecida lenga-lenga sobre como é feliz a vida de seres humanos adestrados como ovelhas para consumir como porcos.

Os homens esperam que essa calamidade seja posta em chamas por uma totalidade que não só desconhecem como contra a qual nada podem.

Queda da infância

No princípio...
Eu te pus pra cuidar do jardim.
pela tua conformação te fiz protetor
e os animais e os seres mágicos
confiavam em ti.
E você conheceu o paraíso...
conheceu o antigo mundo humano
e em tua inocência
era todo ele um jardim
então teus caminhos eram consagrados à vida
e eram as primícias do teu desejo.
Mas tu caíste
Enquanto eu não estava.
Recusaste minha mão
e desde então tem andado só
nas sombras que prenunciam o pó
E ainda hoje no fundo do teu coração
tua alma se lembra*
uma nostalgia imperecível
uma saudade do futuro
onde enfim te retorne
teu paraíso perdido...


Continua...(* Vórtice?)

Jardim esquecido

Quero alguma coisa que me traga de volta o hálito do lago
Regressar às manhãs de outrora
Voltar a ser feliz
E nunca mais perder um paraíso.=/